A diálise peritoneal (DP) é uma modalidade de terapia renal substitutiva que pode ser realizada no domicílio — uma vantagem enorme para idosos com insuficiência renal crônica (IRC) em estágio 5. Em vez de ir 3 vezes por semana a uma clínica de hemodiálise, o paciente faz a diálise em casa, com mais autonomia, menos tempo de deslocamento e, em muitos casos, melhor preservação da função renal residual.
Como Funciona a Diálise Peritoneal
Na DP, o peritônio — membrana que reveste os órgãos abdominais — funciona como filtro natural. Uma solução de diálise é infundida na cavidade abdominal por um cateter (cateter de Tenckhoff), permanece no abdômen por um período determinado (tempo de permanência), durante o qual as toxinas e o excesso de líquido passam do sangue para a solução por osmose e difusão. Em seguida, a solução é drenada e descartada, e uma nova infusão começa. Esse processo é chamado de “ciclo de DP”.
Modalidades de Diálise Peritoneal Domiciliar
DPAC (Diálise Peritoneal Ambulatorial Contínua): 3 a 4 trocas manuais por dia; cada troca leva 30 a 40 minutos; o paciente (ou cuidador) conecta os sacos de solução manualmente; realizada em qualquer ambiente limpo; não precisa de equipamento elétrico; mais indicada para pacientes que têm mobilidade e conseguem fazer as trocas; DPA (Diálise Peritoneal Automatizada): realizada por uma cicladora (máquina) que faz as trocas automaticamente durante à noite; o paciente conecta à cicladora ao dormir (8 a 10 horas de diálise noturna); durante o dia pode ficar livre ou com uma troca manual; mais indicada para pacientes que trabalham ou que têm dificuldade de fazer as trocas diurnas; mais cara, mas o plano de saúde geralmente cobre.
Cuidados com o Cateter de Tenckhoff
O cateter é o ponto crítico da DP domiciliar — infecções no cateter ou no peritônio (peritonite) são a principal complicação. Cuidados diários com o sítio de saída do cateter: limpeza com SF 0,9% ou solução de clorexidina conforme protocolo da clínica de diálise; curativo diário com gaze estéril; inspeção de sinais de infecção (vermelhidão, secreção purulenta, crosta, calor); fixação do cateter para evitar tração; não molhar o sítio de saída no chuveiro — usar curativo impermeável ou banhar-se de bacia. O enfermeiro Akallantus realiza visitas domiciliares para supervisão do sítio de saída e treinamento contínuo do paciente e cuidador.
Técnica Asséptica nas Trocas de Diálise Peritoneal
A peritonite é a complicação mais grave da DP — causada pela contaminação durante as trocas. A técnica asséptica é fundamental: lavar as mãos com sabão por pelo menos 2 minutos; usar máscara cirúrgica durante toda a troca; inspecionar o saco de solução (clareza, prazo de validade, integridade da embalagem); fazer a troca em ambiente limpo, com superfície desinfetada; nunca abrir as conexões em ambientes com corrente de ar ou animais; usar o sistema com spike (espigão) ou a cicladora, conforme o tipo de DP. O paciente e o cuidador são treinados na clínica de diálise antes da alta para DP domiciliar — e o enfermeiro Akallantus reforça o treinamento em casa.
Peritonite: Como Reconhecer e o que Fazer
A peritonite na DP manifesta-se com: efluente turvo (solução drenada turva, não transparente como o normal); dor abdominal, que pode ser intensa; febre e calor; náusea e vômito. Todo efluente turvo deve ser reportado à clínica de diálise imediatamente — mesmo sem dor. O procedimento: guardar a bolsa de efluente turvo para análise; contatar a clínica de diálise (plantão 24h); não interromper a DP; iniciar antibiótico intraperitoneal conforme protocolo da clínica. A peritonite tratada precocemente resolve em 90% dos casos sem perda do cateter ou conversão para hemodiálise.
Dieta na Diálise Peritoneal
A dieta na DP difere da hemodiálise: potássio geralmente é menos restrito (a DP retira potássio continuamente); sódio e líquidos precisam de controle para evitar sobrecarga hídrica; proteína deve ser aumentada (a DP causa perda de proteína pelo efluente — 5 a 15g/dia); fósforo deve ser controlado — alimentos ultraprocessados, laticínios e refrigerantes devem ser limitados. O nutricionista da clínica de diálise é o responsável pelo plano alimentar. O enfermeiro e o técnico Akallantus reforçam as orientações e alertam o paciente sobre episódios de sobrecarga hídrica (edema, falta de ar, peso aumentado acima do peso seco).
Perguntas Frequentes
Diálise peritoneal ou hemodiálise — qual é melhor para o idoso?
Para idosos, a DP tende a oferecer algumas vantagens: melhor preservação da função renal residual (fator de sobrevida importante); sem necessidade de fístula arteriovenosa (que pode ser difícil de confeccionar no idoso); menos episódios de hipotensão intradialítica (comum na hemodiálise em idosos); maior autonomia e qualidade de vida (sem 3 deslocamentos semanais à clínica). Por outro lado, exige paciente ou cuidador motivado e com capacidade de manter a técnica asséptica. A decisão é feita pelo nefrologista em conjunto com o paciente e a família, considerando o contexto clínico e social.
O plano de saúde cobre a diálise peritoneal domiciliar?
Sim. A DP é coberta obrigatoriamente pela ANS para planos com internação. Isso inclui o cateter, as soluções de diálise, a cicladora (para DPA), os materiais e o acompanhamento médico e de enfermagem. O plano não pode recusar a DP como opção de tratamento para o paciente que a prefere (quando clinicamente indicada). Em caso de negativa, entre com recurso na ANS ou via liminar judicial.
Quantas vezes por semana o enfermeiro visita um paciente em diálise peritoneal em casa?
A frequência varia conforme a fase: início da DP domiciliar (primeiros 30 dias) — visita do enfermeiro Akallantus 3 a 5 vezes por semana para reforço de treinamento e monitoramento do sítio de saída; paciente estável em manutenção — 1 a 2 visitas semanais ou quinzenais. A clínica de diálise também acompanha mensalmente com consultas e exames. Em qualquer intercorrência (efluente turvo, febre, problema no cateter), o enfermeiro Akallantus vai ao domicílio com prioridade.
Um cuidador familiar pode aprender a fazer a diálise peritoneal?
Sim — e em muitos casos é assim que funciona. O treinamento é feito pela equipe da clínica de diálise antes da alta — geralmente 5 a 10 dias. O cuidador aprende a técnica de troca, cuidados com o cateter, reconhecimento de complicações e acionamento de emergência. O enfermeiro Akallantus reforça o treinamento no domicílio nas primeiras semanas e está disponível para dúvidas. Idosos com comprometimento cognitivo leve podem precisar de auxílio do cuidador em todas as trocas — isso deve ser avaliado antes de optar pela DP.
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