Medicamentos para Alzheimer: o que Tratam, Efeitos e Limitações
O diagnóstico de Alzheimer vem frequentemente acompanhado de receitas de medicamentos que a família não entende completamente — nem o que fazem, nem o que esperar, nem por que continuar mesmo quando “não parece estar fazendo nada”. Este guia explica de forma direta o que os medicamentos disponíveis realmente fazem, seus limites e os cuidados que a família e o cuidador devem ter.
Os Medicamentos Aprovados para Alzheimer
Inibidores da colinesterase — Classe que inclui donepezila (Aricept), rivastigmina (Exelon — também em patch transdérmico) e galantamina (Reminyl). Mecanismo: aumentam a disponibilidade de acetilcolina no cérebro, compensando parcialmente a deficiência neuroquímica do Alzheimer. Indicados para: Alzheimer leve a moderado (CDR 1 e 2). O que fazem: estabilizam ou amenizam temporariamente o declínio cognitivo e funcional — o paciente mantém função por mais tempo, mas não melhora para o nível anterior ao diagnóstico. O que NÃO fazem: não revertem a doença, não impedem a progressão definitivamente — apenas retardam. Efeitos colaterais comuns: náuseas, vômitos, diarreia, câimbras musculares — geralmente temporários, especialmente na rivastigmina em comprimido (o patch tem melhor tolerabilidade). Iniciar com dose baixa e aumentar gradualmente. Memantina (Ebix, Namenda) — Mecanismo diferente: bloqueia receptores NMDA de glutamato, modulando a excitotoxicidade. Indicada para Alzheimer moderado a grave (CDR 2 e 3) — em monoterapia ou em associação com inibidor da colinesterase. Efeitos colaterais: tontura, confusão (geralmente leve e transitória), constipação. Lecanemabe (Leqembi) e donanumabe — Novos anticorpos monoclonais antiamiloide aprovados nos EUA em 2023-2024; reduzem as placas amiloides e retardam a progressão no Alzheimer inicial (MCI e leve). Ainda não disponíveis regularmente no Brasil; custo elevadíssimo; efeitos adversos incluem edema e hemorragias microvasculares cerebrais (ARIA) — requerem monitoramento com RM.
Medicamentos para Sintomas Comportamentais
Os sintomas comportamentais e psicológicos da demência (BPSD) — agitação, agressividade, alucinações, deambulação noturna, depressão, ansiedade — são frequentemente mais difíceis de manejar que o declínio cognitivo e levam mais cuidadores ao esgotamento. Medicamentos usados: Para agitação e psicose — antipsicóticos atípicos (quetiapina, risperidona em baixa dose). Atenção: os antipsicóticos têm risco aumentado de AVC e mortalidade em idosos com demência — usar apenas quando os sintomas são graves e as medidas não-farmacológicas falharam; usar a menor dose pelo menor tempo necessário. Para depressão — ISRS (sertralina, escitalopram) têm melhor perfil de segurança em idosos com demência. Para ansiedade grave — Evitar benzodiazepínicos (risco de queda, confusão, piora cognitiva); preferir buspirona ou ISRS. Para deambulação noturna e distúrbio do ciclo sono-vigília — Melatonina (0,5 a 2 mg), estruturação da rotina, fototerapia. A primeira linha para BPSD é sempre NÃO farmacológica: ambiente adequado, rotina, técnicas de redirecionamento, treinamento do cuidador. A medicação vem quando necessário e sempre com reavaliação periódica.
Perguntas Frequentes
Vale a pena continuar donepezila no estágio avançado do Alzheimer?
É uma decisão individualizada a ser tomada com o médico. Argumentos para continuar: alguns pacientes no estágio grave ainda respondem com estabilização de comportamento e manutenção de funções básicas. Argumentos para descontinuar: no estágio muito grave, o benefício é incerto e os efeitos colaterais (náuseas, diarreia, bradycardia) podem ser significativos quando o paciente já está fragilizado. Alguns geriatras recomendam descontinuar quando o paciente já está em CDR 3 com perda funcional total — outros mantêm. Não descontinue por conta própria — converse com o médico sobre a relação risco-benefício no estágio atual.
Meu familiar com Alzheimer está muito agitado à noite. O médico prescreveu quetiapina. É seguro?
A quetiapina em baixa dose (6,25 a 25 mg à noite) é um dos antipsicóticos mais utilizados para agitação noturna em demência — com melhor perfil de segurança que os antipsicóticos típicos (haloperidol). Os cuidados importantes: não aumentar a dose sem orientação médica; monitorar sinais de sedação excessiva (queda de pressão ao levantar, risco de queda); idealmente usar por tempo limitado e reavaliar periodicamente; tentar reduzir e suspender quando o quadro comportamental estabilizar. O cuidador Akallantus é treinado para reconhecer efeitos adversos e reportar ao médico. Ligue (11) 9 4204-0827.
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